Sensível, profundo, didático, inteligente e provocativo.
O documentário produzido pelo nosso querido Kleber Mazziero mostra como estava Londres um ano antes dos jogos Olímpicos.
De forma profunda e reveladora, Kleber traz a realidade de Londres de forma muito precisa.
Nem deslumbrado com a cidade, nem excessivamente crítico com ela, o documentário mostra a realidade de Londres. Podemos sentir seus problemas, suas características principais e ver um pouco como se comportam seus habitantes.
Nem melhor, nem pior, mas culturalmente diferentes. Isto é o que mostra este excelente documentário de nosso amigo Kleber.
Só uma profunda sensibilidade aliada a um poderoso senso crítico para produzir um documentário tão próximo da verdade de uma cidade tão idealizada por nós brasileiros.
Assista:
http://www.youtube.com/watch?v=-MaqscYbGHw - Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=vI94lx2u0RE - Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=RDRaJu_c4YQ - Parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=ilIGTKK9OTQ - Parte 4
http://www.youtube.com/watch?v=1Mb_CLtLGwA - Parte 5
Desde 28/01/11, estou em Londres para meu doutorado sanduíche na University College of London (UCL). Ficarei por aqui até dezembro de 2011. Este blog tem o objetivo de narrar minha vida acadêmica assim como minhas experiências como professor-correspondente da ESPM em Londres.
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Impressões sobre o intercâmbio em Oxford, Inglaterra - Confira o sincero e relevante depoimento de nossa aluna Thaís
Thaís é nossa aluna na ESPM. Cursa o quinto semestre de Comunicação Social. Aqui conta suas impressões a respeito do seu intercâmbio em Oxford, Inglaterra. De forma muito sincera e madura, Thaís descreve suas impressões a respeito de seu tempo por aqui. Vale muito ler a sensível e precisa análise que Thaís faz do povo inglês e de sua forma de ser. Boa leitura!
____________________________
Sou estudante de comunicação social na ESPM, nascida e crescida São Paulo, o que torna tudo que vem a seguir mais irônico ainda. Estou acostumada com coisas de grandes extensões, cidade, escola. Estudei a vida toda no Arqui, considerado um dos maiores colégios de São Paulo, na época tinham 5.000 alunos, lá eu estudei todas aquelas coisas que sabia que nunca usaria como física, química, biologia pois eu tinha decidido o que e qual faculdade eu queria muito antes de todo mundo, entrei na ESPM, e enfim, isso é só uma introdução enrolada porque por mais estranho que seja eu não sou uma futura publicitária que escreve bem. Então, se você quiser pular tudo e começar do parágrafo de baixo, à vontade, mas é uma pena que você tenha descoberto isso só agora. hahahahha.
Como a maioria das pessoas com quem convivo na ESPM sabe que o quinto semestre é aquele que você tem que escolher sua optativa, mudar para o período da noite e começar a procurar estágio. Mas, como é muita mudança pra um semestre só, também tem o pessoal que adia isso tudo, tranca a matrícula e vai fazer intercâmbio em algum país, e adivinha? Foi o que eu fiz. Eu e mais a torcida do Corinthians.
A idéia do intercâmbio já existia desde a época do colégio, mas a questão sempre foi para onde ir, Canadá, Estados Unidos, até Madrid passou pela minha cabeça. Mas, acabei optando pela Inglaterra. Lembro que cheguei na agência de intercâmbios dizendo que queria ir para Londres, mas me aconselharam vir para Oxford porque Londres não era tudo que diziam. Disseram que lá é tudo caro, tem pouco britânico e que eu me perderia, pois é muito grande. Aí pensei: ahhh que bobagem, eu moro em São Paulo, nada pode ser pior. Sei que de tanto falarem acabei vindo para Oxford, uma cidade menor, com mais britânicos pela rua e bem pertinho de Londres. Posso ir quando quiser, bem rapidinho. Mas, acredite ou não, estavam certos, até para uma moradora de São Paulo que já tinha um inglês relativamente bom, Oxford já foi uma cidade difícil de chegar, imagina Londres.
Toda essa dificuldade, em grande parte, não foi nem por demorar para me localizar e muito menos pela língua estrangeira, mas sim pelo choque cultural. Quando dizemos que europeus são frios não é brincadeira e, principalmente, os ingleses.
Acho que para qualquer brasileiro a chegada por aqui é difícil, somos conhecidos por ser um povo acolhedor, alegre e, por mais que as coisas estejam ruins, sempre achamos um motivo para tudo funcionar. Não nos preocupamos muito com as coisas porque sabemos que pra tudo tem um jeito. Quer saber? Eu só pude perceber isso longe de casa.
Outro dia uma professora minha aqui da escola disse: não sei o que tem no seu país em janeiro, se é férias, feriado, só sei que essa escola fica cheia de brasileiros, tem até outros ares, todo mundo fica mais alegre, é tão divertido. Vocês não param quietos, pulam, gritam e falam alto, parece que estamos sempre em festa.
Eu sempre achei que aqui seria como morar em outro planeta. Sabe, aquela velha história de 1º mundo? Achei que todo mundo fosse rico, tudo muito organizado e as pessoas finas e gentis. Teria um monte de festa boa e que faria muitos amigos britânicos, doce ilusão. Cheguei aqui em julho e logo na primeira semana começou aquela revolta que estava se espalhando por toda Inglaterra. Dai já veio meu primeiro pensamento: revolta? Destruir a cidade? Eu pensava que isso não era coisa daqueles mesmos ingleses conhecidos por serem extremamente corretos e tomarem chá às 5 da tarde. Depois disso, a cada dia surgia mais alguma evidência. E aos curiosos: existe sim mendigo na rua, tem sim lixo no chão, os nossos metrôs, apesar de poucas linhas, são muito mais modernos. As festas acendem as luzes às 2 da manhã e expulsam todo mundo. A comida é horrível e se tem uma coisa que eles não são é finos, quer comprovação? Dê um passeio de metrô em Londres, mas para isso prepare a respiração, deve haver alguma escassez de desodorante nesse país.
Aqui você encontra muito mais imigrante do que britânico, escuto muito mais espanhol, português e indiano do que inglês pelas ruas. Mesmo porque quem trabalha aqui são pessoas de outras nacionalidades. Acho que eles ficam todos enfiados dentro de casa sem fazer nada. Os ingleses parecem que vivem cada um dentro da sua própria bolha. Não são muito prestativos e são folgados, repito: ande de metrô.
Mas, como ainda restam algumas flores, aqui vem a parte legal da história. A Inglaterra é um país muito ligado à cultura, tanto que os museus são de graça. A quantidade de musicais e shows que têm aqui é absurda. É um país com uma história de muitos anos e que conseguiu preservar seus patrimônios. Os motoristas de ônibus são muito educados, pelo menos em Oxford que é uma cidade universitária. O povo em geral é honesto, tão honesto que você passa suas próprias compras na máquina pra pagar no supermercado. Vai fazer isso no Brasil pra ver se funciona, queria ver quem iria pagar pelas compras.
Outra coisa que eu invejo aqui é o patriotismo. Também a quantidade de linhas de metrô. É possível ir parar qualquer lugar mesmo, sem falar no trêm que liga a Europa inteira. As passagens de avião por 8 euros de um país para outro, as roupas e perfumes de dar risada do preço tão baixo e até a comida, que do jeito que é ruim, tem mais que a obrigação de ser barata. Agora para. Exclui carne de boi da minha generalização de comidas.
Sinceramente, fiquei meio decepcionada por não ser tudo que eu imaginava, tudo o que falavam. Mas, por outro lado, está sendo uma experiência muito legal. Eu pude conhecer lugares que nunca imaginei que iria, pude dar risada de um humor sem graça inglês, brincar com o sotaque deles, ver estudantes da tão famosa Universidade de Oxford pegando o mesmo ônibus que eu, morar sozinha (porque o um mês que morei em uma host Family pude considerar o pior mês da minha vida), aprender a fazer as coisas eu mesma se quiser, conhecer diferentes culturas, por mais estranhas que sejam, ver que os brasileiros são um dos povos mais queridos em todo lugar que vou. Mas, nada valeu mais a pena do que aprender a dar mais valor ao meu país porque se tem alguém que fala mal de lá e dá toda essa imagem ruim que o mundo tem do Brasil, somos nós mesmos. Tá certo que europeu é bem ignorante em relação ao que existe fora da Europa, acham que no Brasil só tem mato e cismam que falamos espanhol, mas enfim nós é que mais adoramos criticar o lugar onde vivemos.
Depois de todos os lugares que conheci, definitivamente posso dizer que, apesar dos altos impostos, altas taxas de importação que me dão vontade de chorar, da falta de estrutura para certas coisas, do lixo na rua, da pobreza e tudo aquilo que adoramos reclamar o Brasil, este ainda é o melhor lugar do mundo pra se viver. Se cada um que fala mal do nosso país pudesse passar um tempo fora pra sentir a falta da comida boa, falta de gritaria alegre, do contato físico, de um dar um "oi" não só levantando a mão, de cumprimentar aquela pessoa que você nem sabe o nome, mas pega metrô no mesmo horário que você todo dia, da bagunça que é esse lugar que até chega a ser engraçado, do pessoal gritando vendendo banana, da saída lotada do estádio com todo mundo cantando pelo seu time e não só batendo palma quando faz um gol. É! Eu sinto falta desse povo que sabe levar até as coisas mais difíceis na brincadeira, e olha que eu estou aqui só há 4 meses.
Quer saber? Eu não troco esse nosso lado que falei acima por nenhum outro lugar, tem muita gente que precisa aprender a parar de colocar a Europa no pedestal antes de conhecer, mas conhecer a fundo mesmo, morar fora pra entender. Só passar férias com tudo programado, comendo bem, em hotel bom e carro alugado é fácil amar um país mesmo.
3º mundo team.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O Facebook tem me deixado triste
Logo que cheguei a Londres em janeiro de 2011, deparei-me, como esperava, com um clima frio, dias chuvosos, noites mais longas que os dias e, o pior de tudo para alguém como eu, uma cultura muito oposta à minha. Nasci no interior de São Paulo, fui criado em uma família grande, de descendência italiana, onde as refeições são verdadeiros rituais, fala-se muito e um cuida bastante do outro. Acostumei-me a ouvir depois de qualquer tosse ou espirro que dou um “Deus te crie” ou, no mínimo, “saúde”. Preocupar-se com o outro, considerar e respeitar sua existência é parte da minha existência. No meu ponto de vista, ignorar o próximo é quase que um ato de desrespeito à vida. Entretanto, nem meus vinte anos em São Paulo foram suficientes para me preparar para Londres. São Paulo é uma cidade cosmopolita, fria com seus habitantes, as pessoas parecem não se importar tanto umas com as outras, mas nada comparado com Londres. No fundo, São Paulo é um conjunto de cidades do interior interligas, os bairros se diferem muito um dos outros. Depende onde moramos, parece que estamos em outra cidade. Aqui em Londres as pessoas não se importam mesmo com as outras. É comum vermos encontrões nas ruas e estes acontecem não porque os atores deste fato estavam desatentos ou pensando em outra coisa que os impediu de notar a presença do outro, é nítido que o outro é invisível, não existe. Como disse uma amiga que já voltou ao Brasil, “morro de medo de ter um treco no meio da rua e, mesmo precisando de ajuda, me deixarem morrer para respeitar o meu direito privado de morrer de repente”.
Londres das férias, dos passeios, das compras é outra. A Londres do dia-a-dia de quem mora por aqui, como já disse exaustivamente neste blog, é bem diferente. Esta Londres que nem sequer considera a existência do outro, confesso que não terei saudade. Muita coisa vai viver para o resto da minha vida em minha memória, mas a desconsideração da vida do próximo, não. Posso em um futuro mais distante voltar a morar aqui, mas sempre terei medo da frieza e da inexistência do outro para os Londrinos.
Desde que cheguei uma das coisas que gosta de fazer para atenuar minha saudade de casa, do meu povo, da minha gente era dar um passeio pelo Facebook. Também converso com minha família via Skype, o que me fez participar de aniversários, dias das mães e dos pais. Esta ferramenta é incrível para quem está longe de CASA como eu. E o Facebook também era onde gostava de entrar para conversar com amigos, ver suas fotos, acompanhar o cotidiano das pessoas que gosto, divertir-me muito com os posts dos alunos da ESPM. Entretanto, confesso que, ultimamente, diminuí demasiadamente meus acessos a esta rede social. Só não desisto definitivamente de lá porque minha pesquisa de doutorado é no Facebook. Preciso saber o que o pessoal apronta na timeline. Entretanto, confesso que o acesso a esta rede social tem me deixado triste. A causa disto é a enxurrada de posts homofóbicos e de preconceitos de outras ordens camuflados em brincadeiras de futebol, a comemoração de assassinatos públicos realizados em nome da “liberdade”, o sadismo demonstrado em fotos da morte do ditador Kadafi e, mais recentemente, este desrespeito a uma doença tão séria e inesquecível para parentes e amigos de suas vítimas: o câncer. Isto só para dar alguns exemplos.
Como postei uma vez, acredito que o Facebook se tornou um confessionário pós-moderno, um lugar onde mostramos de tudo, inclusive nosso lado B. Se eu estiver certo, tenho pena dos padres por aí. Devem ouvir cada coisa.
Londres das férias, dos passeios, das compras é outra. A Londres do dia-a-dia de quem mora por aqui, como já disse exaustivamente neste blog, é bem diferente. Esta Londres que nem sequer considera a existência do outro, confesso que não terei saudade. Muita coisa vai viver para o resto da minha vida em minha memória, mas a desconsideração da vida do próximo, não. Posso em um futuro mais distante voltar a morar aqui, mas sempre terei medo da frieza e da inexistência do outro para os Londrinos.
Desde que cheguei uma das coisas que gosta de fazer para atenuar minha saudade de casa, do meu povo, da minha gente era dar um passeio pelo Facebook. Também converso com minha família via Skype, o que me fez participar de aniversários, dias das mães e dos pais. Esta ferramenta é incrível para quem está longe de CASA como eu. E o Facebook também era onde gostava de entrar para conversar com amigos, ver suas fotos, acompanhar o cotidiano das pessoas que gosto, divertir-me muito com os posts dos alunos da ESPM. Entretanto, confesso que, ultimamente, diminuí demasiadamente meus acessos a esta rede social. Só não desisto definitivamente de lá porque minha pesquisa de doutorado é no Facebook. Preciso saber o que o pessoal apronta na timeline. Entretanto, confesso que o acesso a esta rede social tem me deixado triste. A causa disto é a enxurrada de posts homofóbicos e de preconceitos de outras ordens camuflados em brincadeiras de futebol, a comemoração de assassinatos públicos realizados em nome da “liberdade”, o sadismo demonstrado em fotos da morte do ditador Kadafi e, mais recentemente, este desrespeito a uma doença tão séria e inesquecível para parentes e amigos de suas vítimas: o câncer. Isto só para dar alguns exemplos.
Como postei uma vez, acredito que o Facebook se tornou um confessionário pós-moderno, um lugar onde mostramos de tudo, inclusive nosso lado B. Se eu estiver certo, tenho pena dos padres por aí. Devem ouvir cada coisa.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Egressos ESPM na Inglaterra III - Marina Braga
Marina é uma ex-aluna da ESPM que, depois de formada, passa por uma experiência internacional em sua carreira. A egressa do curso de Comunicação Social da ESPM nos conta um pouco de sua trajetória, seus planos e suas experiências aqui na Inglaterra. Vale acompanhar um pouco da história desta sempre bem-vinda ex-aluna da ESPM.
– Conte, brevemente, sua trajetória pessoal e escolar até ingressar na ESPM (cidade de origem, colégio em que estudou, opções de curso e escolhas para o vestibular, o processo de seu vestibular etc.)
Bom, eu nasci e fui criada em São Paulo. Estudei a vida toda no Colégio Palmares, o que me deu uma boa base e alguns traumas. Nunca fui uma boa aluna, sempre fui da turma da recuperação. Meu negócio era organizar as festas, grupo de teatro, competições esportivas e nada de sentar para estudar.
Escolher o que prestar no vestibular foi fácil, sabia que queria publicidade. Meus pais são publicitários, formados pela ESPM, e eu sempre me interessei pelo trabalho deles. Minha mãe é freela de Pesquisa de Mercado, trabalhou muito em casa e me envolveu nos projetos dela. Eu ajudava nas apresentações, lia os relatórios, via as colagens, etc. Sempre gostei.
Prestei ESPM e USP. Quando prestei ainda não tinha nem passado de ano, eu realmente me dedicava às recuperações. Acho que isso me deixou mais relaxada para a prova (achava que não ia passar mesmo), e acabei passando de primeira na ESPM. Bom, a USP precisava um pouco além de estar relaxada, então não rolou mesmo.
– Agora, conte-nos como foi seu período de curso na ESPM (lembranças que carrega da graduação, primeiros dias de aula, os semestres, a ida para a noite, o início de estágio, atividades na escola, estágios realizados, opção de carreira – escolha de minor, PGE etc.)
A primeira (e melhor) coisa que a ESPM me proporcionou foi meu ciclo de amizade. Desde o primeiro dia de aula conheci pessoas com quem tenho o prazer de conviver até hoje. Daquelas pessoas que parece que você conhece desde a infância. Verdadeiros amigos!
Entrar na ESPM foi finalmente estudar assuntos do meu interesse e como consequência, pela primeira vez na vida, ter boas notas. Além de assuntos que gostava, o que fez a diferença foi ter mais trabalhos e menos provas, bem diferente do colégio. Descobri que meu negócio é trabalhar em grupo, conversar, apresentar, ou seja, algo mais dinâmico do que estudar sozinha.
Não posso dizer que fui uma excelente aluna até o final do curso. No meio do caminho apareceram algumas matérias não tão interesantes que me tiraram um pouco do sono, como finanças e estatística. Peguei DPs e passei raspando algumas vezes. Mas com certeza uma boa aluna posso dizer que fui. Me formei nos esperados 4 anos, para alegria dos meus pais que não aguentavam mais pagar a mensalidade.
Também aproveitei muito o “social” na ESPM. Passei tardes na quadra, joguei handball e volei, joguei Intercalouros, Jogos Mix, fui a todos os Economiadas, fui a todas as festas, cervejadas, assisti Bixo Cross e Miss Bixete, trabalhei na Agência ESPM, fui da Comissão de Formatura, enfim, aproveitei o que pude.
Quando fui para noite não procurei estágio imediatamente. Fiquei 3 meses em casa estudando inglês para me preparar melhor. Foi ótimo, mas esse é um período que você começa a ver um pouco de competição entre os alunos, todos em busca de uma ótima empresa. Nessa pressão (mesmo que disfarçada) achei melhor começar as entrevistas. Me inscrevi para algumas empresas, mas meu foco era agência, queria planejamento. No meio do caminho me deparei com uma prova para trabalhar na Millward Brown. Não tinha a menor idéia do que era, mas as amigas da minha mãe, de planejamento, falaram que era uma ótima “escola” para para depois engrenar em agência e eu resolvi tentar. Passei na prova, gostei do lugar e da localização (Av. Paulista é sempre ótimo para quem não tem carro) e por lá fiquei.
Desde o início do estágio aprendi muito. É aquilo, na prática aprendemos muito mais do que anos na faculdade. Percebi que pesquisa quantitativa pode ser tão interessante quanto qualitativa e aprendi a ter mais atenção e pacicência. Além das metodologias, da força no mercado, a Millward Brown também me conquistou pelas pessoas e pelo ambiente de trabalho em geral.
Mesmo adorando, depois de 11 meses me vi naquela ansiedade de Geração Y em querer “tentar outras coisas” antes de me formar. Então, fui para a Inteligência de Mercado na Whirpool. Uma super empresa com muitas oportunidades de carreira onde trabalhei com gente muito boa. Mas lá me vi longe do meu principal objetivo, planejamento em agência, e acabei resolvendo sair depois de apenas 5 meses.
Não foi a melhor idéia: era início da crise de 2008, faltavam 5 meses para eu me formar (aquela fase que ninguém contrata como estagiário e ninguém aceita com carteira assinada) então fiquei sem emprego e sem dinheiro. Depois de um tempo, entre um almoço e outro, acabei voltando para a Millward Brown, como freela.
Posso dizer que a minha turma não foi das mais sortudas. Nosso diploma saiu no mesmo dia que a crise mundial começou, muita gente ficou como freelancer e alguns outros desempregados, nada legal depois de 4 anos de ESPM.
– Conte brevemente seu percurso profissional após a graduação.
Depois de quase 3 anos de formada, minha vida após graduação não é muito agitada. Fui efetivada na Millward Brown como Analista Jr e lá continuo, agora como Analista Pleno.
– Agora, conte-nos sobre o processo de sua vinda para Londres e sobre sua condição de trabalho atual (empresa em trabalha, área de atuação, principais atividades que executa, a quem responde hierarquicamente) e perspectivas futuras nesta empresa e no mercado de trabalho.
Eu sempre tive vontade de morar fora, mas não tinha grana para largar tudo e fazer uma viagem ou algum curso, era uma idéia que vivia na minha cabeça, mas não sabia como realizar. A Millward Brown é uma empresa inglesa, mas hoje está em mais de 100 países, vira e mexe tem vagas pelo mundo.
No ano passado eles abriram um programa piloto para todos os países. A idéia era enviar 20 pessoas que estivessem na empresa há mais de 2 anos para outro país, por 6 meses. A parte boa é que seria tudo pago, a parte ruim é que não podia escolher o lugar. As opções eram Madrid, Buenos Aires, Chicago, Warwick, Singapura e Changai. Me inscrevi e fui escolhida para vir para Warwick, onde é a cede da empresa.
A Millward Brown é famosa por suas metodologias de pesquisa para pré teste de comunicação, pós teste, tracking de marca, entre outras. Meu trabalho aqui é basicamente o que já fazia no Brasil, Client Service. O que eu faço é desenvolver questionários, analisar resultados e ajudar o cliente (marketing) a tomar decisões com base nas nossas pesquisas. Acho sempre interessante saber das marcas, o que as pessoas pensam delas, ou como elas pensam sobre os consumidores.
Hoje meu cliente principal é Unilever. Como empresa global, a Unilever tem muitas de suas coordenações centralizadas aqui na Inglaterra, o que tem sido interessante. Por um lado aprendo sobre culturas diferentes (Thailandia, China, India, Inglaterra, Suecia), e por outro, trago um olhar mais brasileiro para eles.
Fora isso, trabalhar com pessoas com uma cultura tão diferente da nossa é um aprendizado diário. Parece que cresci 2 anos em 3 meses. É necessário mudar o ritmo (nesse caso acelerar muito mais), rever a rotina (eles preferem não ter hora de almoço para sair mais cedo), não perder o horário (pontuais!!!) e abrir a mente para muitos processos diferentes (tem reunião para tudo). Muitas vezes tudo isso é difícil, como qualquer processo, mas quando você consegue ver que está conseguindo sair da zona de conforto, é o máximo.
Uma coisa que me deixa realizada é ver que estou aprendendo muito sem precisar sair de uma empresa que gosto de trabalhar, tanto pelo assunto quanto pelas pessoas. Hoje não é muito comum ver alguém (com 24 anos) na mesma empresa há quase 4 anos.
– Falando de futuro, como planeja dar continuidade ao seu aperfeiçoamento profissional? Pretende continuar os estudos? Em que área e universidade?
Volto para São Paulo em Dezembro e com certeza ainda fico mais um bom tempo na Millward Brown.
Em paralelo, quero voltar a estudar. Estou pesquisando alguns cursos de mestrado, para começar no segundo semestre de 2012 para futuramente dar aula em faculdades, que é uma coisa que sempre tive vontade.
– Como você avaliaria a participação da ESPM em sua formação acadêmica e profissional?
A ESPM foi super importante na minha formação. Tive ótimas aulas onde aprendi muitos conceitos que uso hoje, como de mídia e marketing. Além disso, tive bons professores que deram uma boa visão de mercado, o que me ajudou e me ajuda muito.
Por fim, acho que ter ESPM no curriculo pode ser muito bom, pelo menos como porta de entrada.
– Para finalizar, em que você acredita que a ESPM poderia ter colaborado mais em sua formação? O que faltou em seu curso, em sua opinião?
Acho que sempre tem o que melhorar. As aulas de Pesquisa de Mercado, por exemplo, poderiam ser mais dinâmicas, com mais pratica e menos teoria. A verdade é que muitos conceitos ensinados não são usados no mercado e acabam assustano as alunos que saem de lá achando pesquisa muito chato, pelo menos a quantitativa.
Talvez trazer mais profissionais da área, ou cases reais, pode ser uma boa idéia. E isso vale não só para pesquisa. Trazer a realidade para a sala de aula acaba ajudando os alunos a entender mais o mercado. No nosso meio há muitas opções e muita gente acaba perdido quando se forma, sem saber no que focar.
domingo, 16 de outubro de 2011
Somos o que podemos ser
É incrível como a distância nos faz enxergar as coisas mais de perto. Refiro-me ao Brasil e suas características. O binômio tempo-distância nos deixa enxergar melhor, mais profundamente nosso país, nosso povo. Em outras palavras, podemos nos enxergar com mais precisão quando estamos longe por um bom período de tempo. Difícil dizer quanto tempo, talvez dependa de cada um. Entretanto, hoje tenho convicção de que menos de um ano longe é pouco para deixarmos sedimentar nossos afetos e âncoras emocionais que nos prendem ao nosso país e ao nosso povo. No início, a saudade ou a repulsa é grande demais e ofusca o que sentimos. Alguns não agüentam a distância, enquanto outros se deliciam com ela. Independentemente da direção do afeto, são necessárias as quatro estações do ano para que consigamos, realmente, colocar nossas emoções no lugar sem deixar os muitos ruídos nos atrapalharem. É comum ouvirmos críticas severas ou elogios exagerados na direção de nosso país. O Brasil, muitas vezes, é alvo de projeções dos que estão longe há pouco tempo. Um desemprego, uma frustração amorosa ou uma série de buracos emocionais não tratados podem levar alguns a projetarem estes sentimentos negativos no velho e sincero Brasil. As críticas são feitas com a certeza de que seria possível, ao viajarmos, deixar nossos próprios problemas e frustrações para trás e aí, de longe, criticá-los. Quando tecemos rígidas palavras contra nossa pátria, estamos, na maioria dos casos, criticando severamente a nós mesmos. Estamos falando de um “eu” que esperávamos ter deixado para trás. É preciso tempo para realmente sentir o que sentimos e percebermos que este que achamos que ficou veio junto também. Somos o que podemos ser em qualquer lugar que estivermos.
Depois de vivido ao menos um ciclo de quatro estações, estamos capacitados a perceber o que realmente sempre fomos, o que realmente nosso país e nossa gente significam para nós. Se depois disso ainda continuamos com alguma repulsa à nossa gente e ao nosso estilo de vida, a decisão é fácil: imigrar de vez, ficar para sempre onde estivermos. É muito bom sair de casa, conhecer lugares e pessoas. É muito importante para nosso crescimento perceber como diferentes culturas lidam com os afetos, com as necessidades humanas. Aprendemos muito neste processo, crescemos demais. Mas, um, dois, dez ou vinte anos longe de casa não podem são suficientes para destruir o que realmente somos, de onde viemos e para onde, um dia, devemos voltar. Ou temos ou não temos raízes. Não há espaço para o meio-termo. Quando as temos, podemos perceber o quanto é bom sair de casa e, principalmente, sentir o quanto é bom sabermos que sempre teremos para onde voltar
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Viver Londres
Em minha primeira reunião com o professor Daniel Miller, logo que cheguei a Londres, entre as inúmeras coisas que ouvi foi a seguinte frase: “no período em que estiver aqui, aproveite o que Londres tem para oferecer. Aproveite Londres”. Confesso que, naquele momento, entendi esta recomendação da forma que qualquer brasileiro recém-chegado a esta grande metrópole poderia entender. Aproveite significa: conheça a cidade, divirta-se nos pubs, vá aos shows, visite os museus, desfrute dos lindos parques, viva a diversidade cultural que se nas ruas e por aí vai.
Ao longo de minha convivência com o professor Miller e, simultaneamente, com a cidade de Londres, percebi que aquela recomendação ia bem além do que eu imaginava. “Aproveite Londres” tinha um sentido mais acadêmico, um tom mais profundo. Logicamente que os parques, os museus, os pubs e as outras atrações da cidade são parte de uma importante experiência Londrina, mas só isto não basta. Esta cidade oferece bem mais. Suas universidades, escolas, centros de pesquisa e instituições governamentais são lugares a serem mais freqüentados por quem por aqui passar uma temporada. É comum ouvirmos de nossos jovens a seguinte frase “quando eu morei em Londres …”, independentemente do número de meses que este esteve por aqui. Sabemos que viver aqui é, entre os brasileiros, é objeto de desejo juvenil, pode trazer distinção no chamado terceiro mundo. Voltar ao Brasil vestindo um estilo londrino, exibindo um sotaque mais britânico, trazendo na mala várias histórias do dito primeiro mundo para contar e mostrando um portfólio invejável de fotos tiradas no Reino Unido é um sonho e tanto de consumo. Quase impossível não se sentir seduzido por este objeto de desejo.
Talvez pela idade que sempre traz mais reflexão e também pela raiz extremamente caipira que me alicerça neste mundo, pude ouvir e experimentar a sugestão do professor Miller. Apesar de voltar com dois dos quatro itens que citei acima - boas histórias e muitas fotos – consegui viver Londres em minha medida. Hoje tenho convicção de que viver Londres é mais do que morar aqui, é levar de volta a cidade dentro de você. Aprender a pegar os lindos ônibus de dois andares, andar nos corredores do tube, a falar uma ou outra gíria Londrina, poder recomendar algum Pub aos amigos e comentar sobre a instabilidade do clima local é tarefa para qualquer pessoa que por aqui passa alguns dias. Absorver uma Londres que é única para cada um de nós é tarefa mais difícil, requer sensibilidade e muito suor.
Agora entendo que o professor Daniel Miller falava sobre viver Londres, aproveitar o que esta cidade pode oferecer após seus longos anos de história. Aliás, o que é bom aqui é o que existe há muito tempo, sua tradição atualizada pela tecnologia. A cada esquina pode-se encontrar algo diferente, algo para se aprender um pouco mais. Sem dúvida, todo estudante ou profissional que, por alguma razão, vá passar um tempo por aqui deve procurar cursos, palestras e professores especialistas em algum tema, além de fazer o trivial. Há uma infinidade de opções de cursos e eventos dos mais diferentes assuntos com diferentes graus de profundidade. Palestras e eventos dos mais variados tipos acontecem no dia-a-dia da cidade. A ideia é experimentar intelectualmente o que a cidade tem a oferecer e que não está nos guias de turismo e nem nos blogs dos visitantes de Londres. Aqui se concentram grandes pensadores contemporâneos. É preciso achá-los. Garanto que, diferentemente do que costumamos vivenciar em nosso país, a maioria destes pensadores recebe-nos com a tranqüila objetividade de um professor e não com a distância de um astro ou estrela da música pop. Uma das mais marcantes experiências que aqui vivo, é poder ter acesso aos freqüentadores de minha bibliografia sem ser tratado como fã de uma celebridade em busca de um autógrafo. Os professores são acessíveis, recebem-nos como parte de seu trabalho. Entretanto, são, em sua maioria, ingleses, guardam sempre certa distância do envolvimento mais afetivo. Sem dúvida, há um ou outro que foge à regra e vive seus momentos de estrelismo, mas são poucos. Autores que são citados por reconhecidos autores brasileiros são mais acessíveis que quem os cita. Certa incoerência que deve ser aproveitada ao máximo. Viver Londres é se aprofundar no que a cidade pode nos dar para nos fazer melhor, é sair daqui com mais do que o idioma bem falado, o conhecimento de meia dúzia de lugares para indicar aos amigos e que o clima aqui varia repentinamente, o que nem sempre é verdade. Viver Londres é aproveitar esta cidade no sentido mais profundo deixando-a entrar de forma personalizada em suas lembranças mais definitivas, sem, é claro, deixar com esta cidade te engula como faz com muitos que aqui chegam e se maravilham com seu lado mais perverso: a imensidão de catedrais do consumo que oferece. Este é o assunto do post anterior.
Seja um estudante em intercâmbio, um profissional expatriado ou um professor em pesquisa, Londres pode transformar profundamente sua vida, basta ir atrás, não se pode ter preguiça nesta cidade e nem tampouco se ver seduzido apenas pelas suas inúmeras opções de diversão. Cuidado! Londres pode tirar o melhor de nós, mas também pode trazer à tona o que temos de pior. É preciso atenção para aproveitar o que este paraíso cultural tem a oferecer.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
O consumo em Londres: uma rápida reflexão
Ao vir para cá, como uma etapa de meu doutorado, trouxe comigo algumas expectativas, muita curiosidade e, principalmente, um espírito de estudante mochileiro que pinga de albergue em albergue conhecendo novas culturas, diferentes pessoas. Não cheguei a me hospedar em nenhum albergue por aqui e nem tampouco precisei pegar um trem durante toda noite para economizar na hospedagem, como fiz em meus tempos de “mochilão”. Mas, meu espírito, até agora, tem sido o mesmo que me acompanhou as duas vezes que “mochilei” pela Europa durante meus vinte e poucos anos. Observações diárias da vida Londrina, pensamentos o tempo todo sobre nosso povo Brasileiro, comparações inevitáveis com nossa cultura e muita leitura.
Mas, o que mais tem marcado meus tempos por aqui é o aprendizado em relação ao mundo do consumo. Tanto teoricamente, já que este é o tema principal de meus estudos, como de forma mais empírica, observando as diversas catedrais do consumo que Londres oferece.
Os recém-chegados a Londres normalmente se deslumbram com sua diferente arquitetura, com suas infinitas opções de lazer e diversão, com seus pubs que oferecem um ambiente favorável à descontração. Londres é sedutora. Londres oferece diferentes e suculentas iscas que podem nos fisgar para um interminável consumir. A Oxford Street é um bom exemplo do potencial desta cidade em oferecer qualquer tipo de produto a qualquer preço. Lojas de todos os tipos oferecem uma infinidade de marcas reconhecidas mundialmente. A paisagem é dominada por indivíduos ostentando seus diversos pacotes de compras. Muitos destes não escapam das sedutoras garras da Primark que oferece roupas, sapatos e outros produtos a preços ofensivamente baratos. Complementando este quadro, bares, restaurantes e teatros tornam Londres uma das principais cidades do mundo em diversões noturnas.
Até conhecer Londres de perto, sempre atribuí à Nova Iorque e a outras cidades norte-americanas a posição de “centro” de compras do mundo. Londres é a quintessência do capitalismo atual. Londres borbulha consumo. Entretanto, que consumo é este que parece moda falar sobre ele?
Uma de nossas características humanas mais conhecidas é nossa tendência em julgar atitudes e comportamentos. Atualmente, é comum flagrarmos julgamentos onde, em uma suposta posição superior, indivíduos dizem que fulano de tal é consumista porque gasta muito dinheiro em tal produto. Ciclano é materialista porque só dá valor ao que tem e não que é, e por aí vai. O consumo se tornou um balizador para julgamentos contemporâneos. A mídia jornalística traz, diariamente, inúmeros exemplos: consumo como vilão da obesidade, consumo como principal causa dos problemas ambientais, consumo como o novo bicho-papão para nossas crianças. Como sempre ensinou minha mãe: julgar é feio. Principalmente, quando deixamos de olhar para nosso próprio umbigo para falar do dos outros. O consumo está entre nós há mais tempo que podemos imaginar, não há como não estar inserido em seu contexto.
Londres é exemplo de cidade secular que se estabeleceu a partir do consumo. Este se intensificou a partir do luxo durante os séculos XVII e XVIII como meio de distinção social, mas já estava por aqui bem antes. O produtivismo, linha de pensamento que tem certo domínio e traz a produção como grande impulsionador da sociedade, pode nos levar a pensar o consumo como uma conseqüência natural de certa demanda atendida pela produção de produtos e serviços. Esta lógica linear, presente no mundo da Economia, pode nos levar a entender o consumo apenas como parte do binômio produção-consumo. Esta visão traz o consumo como conseqüência de um processo histórico, quando, na verdade, este é causa. Esta visão produtivista insiste no consumo como um fenômeno pós Revolução Industrial. Se nos esquivarmos da linearidade da equação consumo = demanda atendida, conseguimos enxergar o consumo como o grande impulsionador da própria revolução industrial.
A história de Londres é capaz de nos ensinar muita coisa a este respeito. Os museus, os livros, a conversa com os locais colaboram com o entendimento do processo histórico do consumo como protagonista da história. Esta forma de ver o consumo, em um primeiro momento, pode nos causar certo estranhamento. É que viver em um contexto dominado pelas edições midiáticas e por alguns discursos carregados de preconceito nos leva a ter por reflexo o pensamento que associa o consumo aos principais problemas que enfrentamos: aquecimento global, sobrevivência do planeta, obesidade, inversão de valores, para dar alguns exemplos. O consumo não é vilão, nem tampouco herói do momento. Sem duvido, é um processo social que nos ajudaria muito se entendido em sua profundidade histórica. É o caso de não deixarmos de olhá-lo em todas suas dimensões por mero preconceito. Criticar o consumo e o governo federal tornou-se esporte predileto entre os jovens. Portando seus iPads e Macbooks, usam as redes sociais para ecoar os discursos presentes na revista Veja e nas edições diárias do jornais veiculados pela Rede Globo de Televisão. Nestes o consumo é o grande inimigo do planeta.
Coitado do consumo, apesar de sobrevivente de difíceis processos históricos e sensível indicador das práticas sociais das diferentes etapas da vida humana, tem sido colocado no banco dos réus, vítima do julgamento de uma sociedade que nunca esteve tão distante de encontrar um objetivo, um alvo, um fim para sua existência.
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