quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Egressos ESPM na Inglaterra III - Marina Braga


Marina é uma ex-aluna da ESPM que, depois de formada, passa por uma experiência internacional em sua carreira. A egressa do curso de Comunicação Social da ESPM nos conta um pouco de sua trajetória, seus planos e suas experiências aqui na Inglaterra. Vale acompanhar um pouco da história desta sempre bem-vinda ex-aluna da ESPM.

– Conte, brevemente, sua trajetória pessoal e escolar até ingressar na ESPM (cidade de origem, colégio em que estudou, opções de curso e escolhas para o vestibular, o processo de seu vestibular etc.)

Bom, eu nasci e fui criada em São Paulo. Estudei a vida toda no Colégio Palmares, o que me deu uma boa base e alguns traumas. Nunca fui uma boa aluna, sempre fui da turma da recuperação. Meu negócio era organizar as festas, grupo de teatro, competições esportivas e nada de sentar para estudar.

Escolher o que prestar no vestibular foi fácil, sabia que queria publicidade. Meus pais são publicitários, formados pela ESPM, e eu sempre me interessei pelo trabalho deles. Minha mãe é freela de Pesquisa de Mercado, trabalhou muito em casa e me envolveu nos projetos dela. Eu ajudava nas apresentações, lia os relatórios, via as colagens, etc. Sempre gostei.

Prestei ESPM e USP. Quando prestei ainda não tinha nem passado de ano, eu realmente me dedicava às recuperações. Acho que isso me deixou mais relaxada para a prova (achava que não ia passar mesmo), e acabei passando de primeira na ESPM. Bom, a USP precisava um pouco além de estar relaxada, então não rolou mesmo.

– Agora, conte-nos como foi seu período de curso na ESPM (lembranças que carrega da graduação, primeiros dias de aula, os semestres, a ida para a noite, o início de estágio, atividades na escola, estágios realizados, opção de carreira – escolha de minor, PGE etc.)

A primeira (e melhor) coisa que a ESPM me proporcionou foi meu ciclo de amizade. Desde o primeiro dia de aula conheci pessoas com quem tenho o prazer de conviver até hoje. Daquelas pessoas que parece que você conhece desde a infância. Verdadeiros amigos!

Entrar na ESPM foi finalmente estudar assuntos do meu interesse e como consequência, pela primeira vez na vida, ter boas notas. Além de assuntos que gostava, o que fez a diferença foi ter mais trabalhos e menos provas, bem diferente do colégio. Descobri que meu negócio é trabalhar em grupo, conversar, apresentar, ou seja, algo mais dinâmico do que estudar sozinha.

Não posso dizer que fui uma excelente aluna até o final do curso. No meio do caminho apareceram algumas matérias não tão interesantes que me tiraram um pouco do sono, como finanças e estatística. Peguei DPs e passei raspando algumas vezes. Mas com certeza uma boa aluna posso dizer que fui. Me formei nos esperados 4 anos, para alegria dos meus pais que não aguentavam mais pagar a mensalidade.

Também aproveitei muito o “social” na ESPM. Passei tardes na quadra, joguei handball e volei, joguei Intercalouros, Jogos Mix, fui a todos os Economiadas, fui a todas as festas, cervejadas, assisti Bixo Cross e Miss Bixete, trabalhei na Agência ESPM, fui da Comissão de Formatura, enfim, aproveitei o que pude.

Quando fui para noite não procurei estágio imediatamente. Fiquei 3 meses em casa estudando inglês para me preparar melhor. Foi ótimo, mas esse é um período que você começa a ver um pouco de competição entre os alunos, todos em busca de uma ótima empresa. Nessa pressão (mesmo que disfarçada) achei melhor começar as entrevistas. Me inscrevi para algumas empresas, mas meu foco era agência, queria planejamento. No meio do caminho me deparei com uma prova para trabalhar na Millward Brown. Não tinha a menor idéia do que era, mas as amigas da minha mãe, de planejamento, falaram que era uma ótima “escola” para para depois engrenar em agência e eu resolvi tentar. Passei na prova, gostei do lugar e da localização (Av. Paulista é sempre ótimo para quem não tem carro) e por lá fiquei.

Desde o início do estágio aprendi muito. É aquilo, na prática aprendemos muito mais do que anos na faculdade. Percebi que pesquisa quantitativa pode ser tão interessante quanto qualitativa e aprendi a ter mais atenção e pacicência. Além das metodologias, da força no mercado, a Millward Brown também me conquistou pelas pessoas e pelo ambiente de trabalho em geral.

Mesmo adorando, depois de 11 meses me vi naquela ansiedade de Geração Y em querer “tentar outras coisas” antes de me formar. Então, fui para a Inteligência de Mercado na Whirpool. Uma super empresa com muitas oportunidades de carreira onde trabalhei com gente muito boa. Mas lá me vi longe do meu principal objetivo, planejamento em agência, e acabei resolvendo sair depois de apenas 5 meses.

Não foi a melhor idéia: era início da crise de 2008, faltavam 5 meses para eu me formar (aquela fase que ninguém contrata como estagiário e ninguém aceita com carteira assinada) então fiquei sem emprego e sem dinheiro. Depois de um tempo, entre um almoço e outro, acabei voltando para a Millward Brown, como freela.

Posso dizer que a minha turma não foi das mais sortudas. Nosso diploma saiu no mesmo dia que a crise mundial começou, muita gente ficou como freelancer e alguns outros desempregados, nada legal depois de 4 anos de ESPM.

– Conte brevemente seu percurso profissional após a graduação.

Depois de quase 3 anos de formada, minha vida após graduação não é muito agitada. Fui efetivada na Millward Brown como Analista Jr e lá continuo, agora como Analista Pleno.

– Agora, conte-nos sobre o processo de sua vinda para Londres e sobre sua condição de trabalho atual (empresa em trabalha, área de atuação, principais atividades que executa, a quem responde hierarquicamente) e perspectivas futuras nesta empresa e no mercado de trabalho.

Eu sempre tive vontade de morar fora, mas não tinha grana para largar tudo e fazer uma viagem ou algum curso, era uma idéia que vivia na minha cabeça, mas não sabia como realizar. A Millward Brown é uma empresa inglesa, mas hoje está em mais de 100 países, vira e mexe tem vagas pelo mundo.

No ano passado eles abriram um programa piloto para todos os países. A idéia era enviar 20 pessoas que estivessem na empresa há mais de 2 anos para outro país, por 6 meses. A parte boa é que seria tudo pago, a parte ruim é que não podia escolher o lugar. As opções eram Madrid, Buenos Aires, Chicago, Warwick, Singapura e Changai. Me inscrevi e fui escolhida para vir para Warwick, onde é a cede da empresa.

A Millward Brown é famosa por suas metodologias de pesquisa para pré teste de comunicação, pós teste, tracking de marca, entre outras. Meu trabalho aqui é basicamente o que já fazia no Brasil, Client Service. O que eu faço é desenvolver questionários, analisar resultados e ajudar o cliente (marketing) a tomar decisões com base nas nossas pesquisas. Acho sempre interessante saber das marcas, o que as pessoas pensam delas, ou como elas pensam sobre os consumidores.

Hoje meu cliente principal é Unilever. Como empresa global, a Unilever tem muitas de suas coordenações centralizadas aqui na Inglaterra, o que tem sido interessante. Por um lado aprendo sobre culturas diferentes (Thailandia, China, India, Inglaterra, Suecia), e por outro, trago um olhar mais brasileiro para eles.

Fora isso, trabalhar com pessoas com uma cultura tão diferente da nossa é um aprendizado diário. Parece que cresci 2 anos em 3 meses. É necessário mudar o ritmo (nesse caso acelerar muito mais), rever a rotina (eles preferem não ter hora de almoço para sair mais cedo), não perder o horário (pontuais!!!) e abrir a mente para muitos processos diferentes (tem reunião para tudo). Muitas vezes tudo isso é difícil, como qualquer processo, mas quando você consegue ver que está conseguindo sair da zona de conforto, é o máximo.

Uma coisa que me deixa realizada é ver que estou aprendendo muito sem precisar sair de uma empresa que gosto de trabalhar, tanto pelo assunto quanto pelas pessoas. Hoje não é muito comum ver alguém (com 24 anos) na mesma empresa há quase 4 anos.

– Falando de futuro, como planeja dar continuidade ao seu aperfeiçoamento profissional? Pretende continuar os estudos? Em que área e universidade?

Volto para São Paulo em Dezembro e com certeza ainda fico mais um bom tempo na Millward Brown.

Em paralelo, quero voltar a estudar. Estou pesquisando alguns cursos de mestrado, para começar no segundo semestre de 2012 para futuramente dar aula em faculdades, que é uma coisa que sempre tive vontade.

– Como você avaliaria a participação da ESPM em sua formação acadêmica e profissional?

A ESPM foi super importante na minha formação. Tive ótimas aulas onde aprendi muitos conceitos que uso hoje, como de mídia e marketing. Além disso, tive bons professores que deram uma boa visão de mercado, o que me ajudou e me ajuda muito.

Por fim, acho que ter ESPM no curriculo pode ser muito bom, pelo menos como porta de entrada.


– Para finalizar, em que você acredita que a ESPM poderia ter colaborado mais em sua formação? O que faltou em seu curso, em sua opinião?


Acho que sempre tem o que melhorar. As aulas de Pesquisa de Mercado, por exemplo, poderiam ser mais dinâmicas, com mais pratica e menos teoria. A verdade é que muitos conceitos ensinados não são usados no mercado e acabam assustano as alunos que saem de lá achando pesquisa muito chato, pelo menos a quantitativa.

Talvez trazer mais profissionais da área, ou cases reais, pode ser uma boa idéia. E isso vale não só para pesquisa. Trazer a realidade para a sala de aula acaba ajudando os alunos a entender mais o mercado. No nosso meio há muitas opções e muita gente acaba perdido quando se forma, sem saber no que focar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Somos o que podemos ser


É incrível como a distância nos faz enxergar as coisas mais de perto. Refiro-me ao Brasil e suas características. O binômio tempo-distância nos deixa enxergar melhor, mais profundamente nosso país, nosso povo. Em outras palavras, podemos nos enxergar com mais precisão quando estamos longe por um bom período de tempo. Difícil dizer quanto tempo, talvez dependa de cada um. Entretanto, hoje tenho convicção de que menos de um ano longe é pouco para deixarmos sedimentar nossos afetos e âncoras emocionais que nos prendem ao nosso país e ao nosso povo. No início, a saudade ou a repulsa é grande demais e ofusca o que sentimos. Alguns não agüentam a distância, enquanto outros se deliciam com ela. Independentemente da direção do afeto, são necessárias as quatro estações do ano para que consigamos, realmente, colocar nossas emoções no lugar sem deixar os muitos ruídos nos atrapalharem. É comum ouvirmos críticas severas ou elogios exagerados na direção de nosso país. O Brasil, muitas vezes, é alvo de projeções dos que estão longe há pouco tempo. Um desemprego, uma frustração amorosa ou uma série de buracos emocionais não tratados podem levar alguns a projetarem estes sentimentos negativos no velho e sincero Brasil. As críticas são feitas com a certeza de que seria possível, ao viajarmos, deixar nossos próprios problemas e frustrações para trás e aí, de longe, criticá-los. Quando tecemos rígidas palavras contra nossa pátria, estamos, na maioria dos casos, criticando severamente a nós mesmos. Estamos falando de um “eu” que esperávamos ter deixado para trás. É preciso tempo para realmente sentir o que sentimos e percebermos que este que achamos que ficou veio junto também. Somos o que podemos ser em qualquer lugar que estivermos.

Depois de vivido ao menos um ciclo de quatro estações, estamos capacitados a perceber o que realmente sempre fomos, o que realmente nosso país e nossa gente significam para nós. Se depois disso ainda continuamos com alguma repulsa à nossa gente e ao nosso estilo de vida, a decisão é fácil: imigrar de vez, ficar para sempre onde estivermos. É muito bom sair de casa, conhecer lugares e pessoas. É muito importante para nosso crescimento perceber como diferentes culturas lidam com os afetos, com as necessidades humanas. Aprendemos muito neste processo, crescemos demais. Mas, um, dois, dez ou vinte anos longe de casa não podem são suficientes para destruir o que realmente somos, de onde viemos e para onde, um dia, devemos voltar. Ou temos ou não temos raízes. Não há espaço para o meio-termo. Quando as temos, podemos perceber o quanto é bom sair de casa e, principalmente, sentir o quanto é bom sabermos que sempre teremos para onde voltar

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Viver Londres


Em minha primeira reunião com o professor Daniel Miller, logo que cheguei a Londres, entre as inúmeras coisas que ouvi foi a seguinte frase: “no período em que estiver aqui, aproveite o que Londres tem para oferecer. Aproveite Londres”. Confesso que, naquele momento, entendi esta recomendação da forma que qualquer brasileiro recém-chegado a esta grande metrópole poderia entender. Aproveite significa: conheça a cidade, divirta-se nos pubs, vá aos shows, visite os museus, desfrute dos lindos parques, viva a diversidade cultural que se nas ruas e por aí vai.
Ao longo de minha convivência com o professor Miller e, simultaneamente, com a cidade de Londres, percebi que aquela recomendação ia bem além do que eu imaginava. “Aproveite Londres” tinha um sentido mais acadêmico, um tom mais profundo. Logicamente que os parques, os museus, os pubs e as outras atrações da cidade são parte de uma importante experiência Londrina, mas só isto não basta. Esta cidade oferece bem mais. Suas universidades, escolas, centros de pesquisa e instituições governamentais são lugares a serem mais freqüentados por quem por aqui passar uma temporada. É comum ouvirmos de nossos jovens a seguinte frase “quando eu morei em Londres …”, independentemente do número de meses que este esteve por aqui. Sabemos que viver aqui é, entre os brasileiros, é objeto de desejo juvenil, pode trazer distinção no chamado terceiro mundo. Voltar ao Brasil vestindo um estilo londrino, exibindo um sotaque mais britânico, trazendo na mala várias histórias do dito primeiro mundo para contar e mostrando um portfólio invejável de fotos tiradas no Reino Unido é um sonho e tanto de consumo. Quase impossível não se sentir seduzido por este objeto de desejo.
Talvez pela idade que sempre traz mais reflexão e também pela raiz extremamente caipira que me alicerça neste mundo, pude ouvir e experimentar a sugestão do professor Miller. Apesar de voltar com dois dos quatro itens que citei acima - boas histórias e muitas fotos – consegui viver Londres em minha medida. Hoje tenho convicção de que viver Londres é mais do que morar aqui, é levar de volta a cidade dentro de você. Aprender a pegar os lindos ônibus de dois andares, andar nos corredores do tube, a falar uma ou outra gíria Londrina, poder recomendar algum Pub aos amigos e comentar sobre a instabilidade do clima local é tarefa para qualquer pessoa que por aqui passa alguns dias. Absorver uma Londres que é única para cada um de nós é tarefa mais difícil, requer sensibilidade e muito suor.
Agora entendo que o professor Daniel Miller falava sobre viver Londres, aproveitar o que esta cidade pode oferecer após seus longos anos de história. Aliás, o que é bom aqui é o que existe há muito tempo, sua tradição atualizada pela tecnologia. A cada esquina pode-se encontrar algo diferente, algo para se aprender um pouco mais. Sem dúvida, todo estudante ou profissional que, por alguma razão, vá passar um tempo por aqui deve procurar cursos, palestras e professores especialistas em algum tema, além de fazer o trivial. Há uma infinidade de opções de cursos e eventos dos mais diferentes assuntos com diferentes graus de profundidade. Palestras e eventos dos mais variados tipos acontecem no dia-a-dia da cidade. A ideia é experimentar intelectualmente o que a cidade tem a oferecer e que não está nos guias de turismo e nem nos blogs dos visitantes de Londres. Aqui se concentram grandes pensadores contemporâneos. É preciso achá-los. Garanto que, diferentemente do que costumamos vivenciar em nosso país, a maioria destes pensadores recebe-nos com a tranqüila objetividade de um professor e não com a distância de um astro ou estrela da música pop. Uma das mais marcantes experiências que aqui vivo, é poder ter acesso aos freqüentadores de minha bibliografia sem ser tratado como fã de uma celebridade em busca de um autógrafo. Os professores são acessíveis, recebem-nos como parte de seu trabalho. Entretanto, são, em sua maioria, ingleses, guardam sempre certa distância do envolvimento mais afetivo. Sem dúvida, há um ou outro que foge à regra e vive seus momentos de estrelismo, mas são poucos. Autores que são citados por reconhecidos autores brasileiros são mais acessíveis que quem os cita. Certa incoerência que deve ser aproveitada ao máximo. Viver Londres é se aprofundar no que a cidade pode nos dar para nos fazer melhor, é sair daqui com mais do que o idioma bem falado, o conhecimento de meia dúzia de lugares para indicar aos amigos e que o clima aqui varia repentinamente, o que nem sempre é verdade. Viver Londres é aproveitar esta cidade no sentido mais profundo deixando-a entrar de forma personalizada em suas lembranças mais definitivas, sem, é claro, deixar com esta cidade te engula como faz com muitos que aqui chegam e se maravilham com seu lado mais perverso: a imensidão de catedrais do consumo que oferece. Este é o assunto do post anterior. 
Seja um estudante em intercâmbio, um profissional expatriado ou um professor em pesquisa, Londres pode transformar profundamente sua vida, basta ir atrás, não se pode ter preguiça nesta cidade e nem tampouco se ver seduzido apenas pelas suas inúmeras opções de diversão. Cuidado! Londres pode tirar o melhor de nós, mas também pode trazer à tona o que temos de pior. É preciso atenção para aproveitar o que este paraíso cultural tem a oferecer.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O consumo em Londres: uma rápida reflexão


Ao vir para cá, como uma etapa de meu doutorado, trouxe comigo algumas expectativas, muita curiosidade e, principalmente, um espírito de estudante mochileiro que pinga de albergue em albergue conhecendo novas culturas, diferentes pessoas. Não cheguei a me hospedar em nenhum albergue por aqui e nem tampouco precisei pegar um trem durante toda noite para economizar na hospedagem, como fiz em meus tempos de “mochilão”. Mas, meu espírito, até agora, tem sido o mesmo que me acompanhou as duas vezes que “mochilei” pela Europa durante meus vinte e poucos anos. Observações diárias da vida Londrina, pensamentos o tempo todo sobre nosso povo Brasileiro, comparações inevitáveis com nossa cultura e muita leitura.

Mas, o que mais tem marcado meus tempos por aqui é o aprendizado em relação ao mundo do consumo. Tanto teoricamente, já que este é o tema principal de meus estudos, como de forma mais empírica, observando as diversas catedrais do consumo que Londres oferece.

Os recém-chegados a Londres normalmente se deslumbram com sua diferente arquitetura, com suas infinitas opções de lazer e diversão, com seus pubs que oferecem um ambiente favorável à descontração. Londres é sedutora. Londres oferece diferentes e suculentas iscas que podem nos fisgar para um interminável consumir. A Oxford Street é um bom exemplo do potencial desta cidade em oferecer qualquer tipo de produto a qualquer preço. Lojas de todos os tipos oferecem uma infinidade de marcas reconhecidas mundialmente. A paisagem é dominada por indivíduos ostentando seus diversos pacotes de compras. Muitos destes não escapam das sedutoras garras da Primark que oferece roupas, sapatos e outros produtos a preços ofensivamente baratos. Complementando este quadro, bares, restaurantes e teatros tornam Londres uma das principais cidades do mundo em diversões noturnas.
Até conhecer Londres de perto, sempre atribuí à Nova Iorque e a outras cidades norte-americanas a posição de “centro” de compras do mundo. Londres é a quintessência do capitalismo atual. Londres borbulha consumo. Entretanto, que consumo é este que parece moda falar sobre ele?

Uma de nossas características humanas mais conhecidas é nossa tendência em julgar atitudes e comportamentos. Atualmente, é comum flagrarmos julgamentos onde, em uma suposta posição superior, indivíduos dizem que fulano de tal é consumista porque gasta muito dinheiro em tal produto. Ciclano é materialista porque só dá valor ao que tem e não que é, e por aí vai. O consumo se tornou um balizador para julgamentos contemporâneos. A mídia jornalística traz, diariamente, inúmeros exemplos: consumo como vilão da obesidade, consumo como principal causa dos problemas ambientais, consumo como o novo bicho-papão para nossas crianças. Como sempre ensinou minha mãe: julgar é feio. Principalmente, quando deixamos de olhar para nosso próprio umbigo para falar do dos outros. O consumo está entre nós há mais tempo que podemos imaginar, não há como não estar inserido em seu contexto.

Londres é exemplo de cidade secular que se estabeleceu a partir do consumo. Este se intensificou a partir do luxo durante os séculos XVII e XVIII como meio de distinção social, mas já estava por aqui bem antes. O produtivismo, linha de pensamento que tem certo domínio e traz a produção como grande impulsionador da sociedade, pode nos levar a pensar o consumo como uma conseqüência natural de certa demanda atendida pela produção de produtos e serviços. Esta lógica linear, presente no mundo da Economia, pode nos levar a entender o consumo apenas como parte do binômio produção-consumo. Esta visão traz o consumo como conseqüência de um processo histórico, quando, na verdade, este é causa. Esta visão produtivista insiste no consumo como um fenômeno pós Revolução Industrial. Se nos esquivarmos da linearidade da equação consumo = demanda atendida, conseguimos enxergar o consumo como o grande impulsionador da própria revolução industrial.

A história de Londres é capaz de nos ensinar muita coisa a este respeito. Os museus, os livros, a conversa com os locais colaboram com o entendimento do processo histórico do consumo como protagonista da história. Esta forma de ver o consumo, em um primeiro momento, pode nos causar certo estranhamento. É que viver em um contexto dominado pelas edições midiáticas e por alguns discursos carregados de preconceito nos leva a ter por reflexo o pensamento que associa o consumo aos principais problemas que enfrentamos: aquecimento global, sobrevivência do planeta, obesidade, inversão de valores, para dar alguns exemplos. O consumo não é vilão, nem tampouco herói do momento. Sem duvido, é um processo social que nos ajudaria muito se entendido em sua profundidade histórica. É o caso de não deixarmos de olhá-lo em todas suas dimensões por mero preconceito. Criticar o consumo e o governo federal tornou-se esporte predileto entre os jovens. Portando seus iPads e Macbooks, usam as redes sociais para ecoar os discursos presentes na revista Veja e nas edições diárias do jornais veiculados pela Rede Globo de Televisão. Nestes o consumo é o grande inimigo do planeta.

Coitado do consumo, apesar de sobrevivente de difíceis processos históricos e sensível indicador das práticas sociais das diferentes etapas da vida humana, tem sido colocado no banco dos réus, vítima do julgamento de uma sociedade que nunca esteve tão distante de encontrar um objetivo, um alvo, um fim para sua existência.

domingo, 18 de setembro de 2011

Dez coisas que terei e não terei saudade em Londres


Dez coisas de Londres de que sentirei saudade:

1 – Dos parques.
2 – Dos museus.
3 – Do Tâmisa.
4 – Da Guinness bem tirada.
5 – Dos double-deckers.
6 – Do crèpe de Hampstead.
7 – Das noites silenciosas de Hampstead.
8 – De Hampstead como um todo.
9 – De minhas reuniões de orientação com prof. Daniel Miller.
10 – Da diversidade cultural e etnica. Viva a diversidade e protejamos o diferente!

Dez coisas de Londres que não sentirei qualquer saudade:

1 – Do fraco NHS – sistema nacional de saúde.
2 – Da grosseria gratuita, principalmente dos jovens freqüentadores do metrô.
3 – Do pouco caso da cidade em relação aos cadeirantes e idosos.
4 – Da indiferença das pessoas em relação às outras.
5 – Das insuportáveis sirenes tanto da polícia quanto das ambulâncias.
6 – Dos muitos ratos que vivem por aqui.
7 – Da sujeira da cidade.
8 – Da gastronomia inglesa.
9 – Da flagrante falta de hábito de tomar banho e usar desodorante de alguns, principalmente nos transportes públicos.
10 – Das imobiliárias.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Rede Globo na cobertura dos acontecimentos em Londres

Londres nunca será a mesma depois dos distúrbios desta semana que passou. Nós também não. A semana foi tensa e cheia de interrogações. Um dos pontos que também me chamou a atenção foi a cobertura jornalística do acontecimento por parte da Rede Globo de Televisão. Não sou daquele tipo de brasileiro que, por definição, desvaloriza tudo que é de seu país e só valoriza o que vem do dito primeiro mundo. Se pensarmos com cuidado, o dito primeiro mundo nem existe, assim como o terceiro. O que temos é um só planeta cansado de ser explorado pela fome de poder que nos impede de dar o passo necessário na direção de uma sociedade mais evoluída, menos egoísta e com novos valores.

Voltando à cobertura dos acontecimentos aqui de Londres pela Rede Globo de Televisão, encontramos uma grande amostra do que nos impede de socialmente prosseguir. Suas práticas lembram-nos alguns totalitarismos que abarcaram o mundo no meio do século passado.

Em busca da audiência, a Globo desprezou familiares e amigos de brasileiros que residem na Inglaterra. Esta rede de televisão mostrou os sérios distúrbios que ocorreram em Londres de uma forma exageradamente editada que passava a certeza de que Londres estaria em chamas. Sim, vivemos em um mundo editado pela mídia e para sairmos dele será preciso muito mais do que fim da Globo. Entretanto, a Globo exagera em sua obesidade editorial. Muitas vezes, ao assistirmos às suas reportagens, podemos rememorar os tempos do jornal Notícias Populares.

Uma rede de televisão privada, sem dúvida, tem suas inclinações políticas e objetivos mercadológicos. É possível entendermos, apesar de discordarmos, estratégias que priorizam baixa qualidade e pouca profundidade da programação em busca de audiência, já que apenas números importam a esta emissora. Também não é difícil compreender os interesses políticos deste canal ao dar mais espaço em sua programação para este ou aquele partido político. Estas atitudes, ainda que criticáveis, mostram-se atenuadas diante da irresponsável edição que a emissora mostrou dos fatos em Londres. Infelizmente, este é só um exemplo de uma conduta jornalística que vem se tornando cada vez mais comum.

O triste episódio não aconteceu em toda Londres e nem tampouco em toda Inglaterra. Alguns bairros da cidade sofreram muito com os ataques, mas não foram todos. Apenas algumas cidades do país tiveram partes atingidas. A Globo tem potencial para ser uma grande emissora de TV. Tem nas mãos o poder da liderança de mercado e deveria ter a responsabilidade de arriscar um processo de mudança em nosso país. O poder que tem é muito grande, mas, infelizmente, junto com ele vem sempre a necessidade da manutenção do que está estabelecido, do sistema que aprendeu a dominar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Saques e arrastões em Londres: um sintoma social

Posso dizer, com considerável grau de tranqüilidade, que uns dos pontos positivos destes meses que tenho morado em Londres é o distanciamento que vivo da nossa mídia jornalística. Soube da morte da cantora Amy Winehouse, por exemplo, através do Uol que tratou o tema de forma exaustiva. Logicamente que os veículos de comunicação ingleses noticiaram a morte da cantora, mas pararam por aí. Especial no horário nobre do domingo só no Fantástico mesmo. Confesso que é muito bom estar longe do “Show da Vida”. É um alívio estar a milhares de quilômetros desta opressão jornalística que vivemos atualmente no Brasil: qualquer fato torna-se notícia e qualquer notícia é transformada em produto para vender mais e mais e mais. A audiência é o que conta, os fatos, a informação são meios de se chegar lá. É só lembrarmos dos últimos acontecimentos trágicos narrados pelos nossos jornalistas como se fossem um reality show.
Não que os veículos ingleses não usem da mesma estratégia em busca de audiência. Sim, mas o que é diferente por aqui é que o exagero midiático é menor e a participação das “verdades” jornalísticas no cotidiano é menor. Entretanto, no sábado que passou foi diferente porque o que houve aqui em Londres foi bem distinto do que se vê no dia-a-dia. Liguei a TV no canal de notícias da BBC e lá estava uma imagem de um grande incêndio com uma paisagem ao lado já meio familiar para mim: casas, fachadas de lojas e ônibus tipicamente Londrinos. Pensei comigo: “isto está acontecendo por aqui, em algum bairro desta cidade”. As notícias contavam o acontecido em Tottenham, bairro ao norte de Londres. Um grupo de “manifestantes” estaria protestando a morte de um jovem na última quinta-feira, vítima de um tiroteio com a polícia. As notícias do sábado ainda davam uma ideia de manifestação, apesar da violência das cenas. Entretanto, os dias foram passando, ou melhor, as noites, horário preferido para a violência, e a manifestação tomou o formato de vandalismo com saques a lojas e a supermercados. Lojas de celulares, supermercados, grandes magazines, lojas de roupas e outros estabelecimentos estavam sendo invadidos por jovens que entravam quebrando toda e qualquer proteção para levar os produtos para casa.
Nestes dias, o clima na cidade foi de muita expectativa e medo. Não se sabia muito que fazer em uma situação como esta. Na dúvida, a recomendação era que ficássemos em casa, principalmente à noite. A atmosfera Londrina daquele momento me lembrou São Paulo de alguns anos quando o PCC ameaçou o caótico, mas conhecido por todos, dia-a-dia da cidade. Minha rua na Vila Mariana, pela primeira vez em quinze anos que moro lá, ficou horas e horas sem passar qualquer carro, dormindo em um inédito e inesquecível silêncio. Londres não estava assim, silenciosa, mas o clima era parecido: medo, receio, desconfiança, ansiedade. Os ingleses de nosso dia-a-dia se diziam envergonhados com o acontecido. Não sabiam explicar e criticavam levemente sua polícia, tida por eles, até então, como motivo de orgulho. Consideraram-na “soft” demais para um acontecimento como este. Compararam com a polícia norte-americana. Diziam que se fosse nos EUA, esta rebelião só teria durado um dia. Talvez assistam filmes demais para chegar a esta precipitada conclusão ou talvez tenham alguma razão no que falam. Só sei que a tão criticada polícia brasileira não receberia pedradas dos manifestantes de forma tão passiva e defensiva como fizeram os amedrontados policiais daqui. Mas, a verdade é que não estávamos nos EUA em no Brasil. Londres é lugar de desejo de dez a cada nove jovens brasileiros. Imaginei agora estes números. Mas, pouco importa sua precisão. Se são oito ou sete em cada dez, o que sabemos é que nossos jovens brasileiros, em sua maioria, idealizam esta cidade como sendo sinônimo de paraíso, objeto de desejo. Indubitavelmente ela tem algumas qualidades que justificam tal idealização. A questão é que a análise é sempre feita parcialmente: o Brasil só tem problemas como violência, desigualdade social. Por outro lado, países como a Inglaterra são superiores porque a violência não existe e a desigualdade social não passa de um problema do dito terceiro mundo. Engano nosso. O que aconteceu em Londres não foi uma manifestação pacífica de iguais socialmente. Vimos bandos de jovens saqueando violentamente o patrimônio de famílias que trabalharam anos e anos para ter um negócio. Muitas lojas pertencem a grandes redes que conseguem recuperar-se rapidamente do prejuízo, se chegarem a senti-lo, mas algumas são de pessoas que dificilmente recuperarão seu patrimônio. Perderam o que tinham. Londres não será a mesma depois desta semana que passou.
Não é fácil definir um perfil específico para os participantes dos saques. Inicialmente, imagionou-se que seria possível, mas as imagens dos tumultos revelaram diferentes formas e origens. São jovens ingleses, netos de uma geração que passou por guerras, fome, pestes. Filhos de pais que pouco controlam o que fazem os adolescentes que trouxeram ao mundo. É nítido nas ruas este fato. Adolescentes são vistos aos bandos totalmente desrespeitosos com o próximo, e agressivos com todos e com tudo. Cenas de agressividade e violência cotidiana são comuns nos vagões do metrô. Relatei outro dia uma cena destas, quando uma adolescente entrou empurrando a todos no vagão do metrô só para poder conseguir um lugar para sentar e se maquiar. A crise moral e de valores é nítida.
Como sempre, estes acontecimentos trazem muitas versões. A oficial diz que estes “saqueadores” são bandidos que se aproveitaram da situação para roubar e saquear lojas. A de alguns imigrantes, inicialmente acusados pelo fato pela TV, é que são adolescentes que recebem tudo do governo e nunca precisaram trabalhar, seriam bandidos produzidos pelo próprio sistema. Os ingleses que conheço dizem não entender o fato, principalmente por ter ocorrido aqui em Londres, lugar de muita diversidade cultural que estaria livre de manifestações como estas por ter desenvolvido relativa tolerância étnica. Entretanto, pelo que parece, não há nada de étnico e nem tampouco de vagabundo nesta manifestação. A velocidade e a amplitude das articulações invejariam qualquer estrategista de guerra. Em segundos os lugares eram saqueados e depredados por jovens com rostos tampados, sem qualquer chance para a simpática, mas lenta polícia inglesa reagir. Sem dúvida, em meio aos manifestantes poderia haver de tudo: bandidos, ingleses filhos de um sistema paternalista que “colhe o que plantou”, imigrantes etc. Mas, este fenômeno deve ser encarado com um termômetro social muito preciso. A questão é bem menos simples do que quer encarar a BBC e os jornais brasileiros que assustaram bastante nossos familiares e amigos.
Londres, como centro nervoso do mundo, mostra certo cansaço. A sociedade está cansada, talvez nosso planeta esteja cansado de tanta exploração. Invasões, destruições e saques à natureza são a marca de nossos tempos. Não é à toa que estes jovens ingleses usaram tal estratégia para se manifestar. Muitos entre nós orgulham-se de nossos tempos pelo seu desenvolvimento tecnológico, quando quase todos têm um aparelho celular e o objetivo é que aconteça o mesmo com as “tabletes eletrônicas”. Dizem estes: país desenvolvido é aquele em que todos têm acesso à tecnologia de ponta. Entendem, tecnologia de ponto como sendo celulares e tabletes, desconsiderando que em alguns lugares falta água encanada, comida na mesa e educação. A civilização está cansada desta empreitada moderna pelo desenvolvimento tecnológico atrás do sonho de um impossível mundo homogêneo e puro, sem desvios de norma. O que houve em Londres deve ser encarado como um sinal. O que assusta nestas manifestações de violência que aconteceram por aqui é que elas foram realizadas por jovens que articularam os atos via BlackBerry, objeto de desejo da juventude de hoje. Os atos eram contra lojas que vendiam produtos que são, para nós, mais do que algo a ser comprado, são símbolos de distinção social. Celular, computador, tênis, roupas, carros são objetos que possuímos também para nos distinguir socialmente, mostrar quem somos e quanto poder aquisitivo temos. Ter um iPad hoje, virou quase obrigação social. Mesmo ainda tendo dificuldades para explicar para que serve, qualquer adolescente sonha em usar seu iPad 2. Assim pode abrir seu perfil no Facebook e postar onde está naquele momento para seus amigos verem o quanto distinto socialmente é pelo lugar que freqüenta. Tudo isto em tempo real. Estamos nos esquecendo da base. Ensinamos aos nossos jovens que o que importa é o dinheiro porque este é viabilizador da distinção. Londres é o centro nervoso de um mundo capitalista que vive em uma modernidade levada ao extremo, onde se dá a vida pela posse de um produto reconhecido socialmente. A questão não é nem da posse do produto em si porque se assim o fosse, bastava tê-lo. É uma questão do direito à posse. Já que os sujeitos valorizados socialmente têm, estes jovens sentem que também podem ter. Desta forma, arriscam-se e saqueiam lojas para ter acesso a um produto que os distinguiria socialmente. Frustram-se porque a mágica não está no produto em si, este é um vazio. Assim, saqueiam, saqueiam e saqueiam e o sonho não se realiza. Vivemos um tempo de desejos infinitos que são projetos na compra deste ou daquele produto. Dizemos que “necessitamos muito daquilo” e ao comprar percebemos que a necessidade não é suprida, parece que necessitamos necessitar sempre. Nossa civilização precisa de uma transformação moral e esta parece estar a cargo de gerações que ainda estão por vir. A de nossos jovens parece estar a serviço de nos mostrar que algo está muito errado e o caminho que escolhemos não nos levará a lugar nenhum.
Voltando ao episódio, o clima foi de muita tensão, estranheza e reflexão. Resta-nos a coragem de ter algumas reflexões.
Estaria Londres tão preparada como imaginavam todos para os jogos Olímpicos do próximo ano? Será que apenas o Brasil é um país com problemas sociais graves como querem crer muitos de nós mesmos? Será que não estaria na hora de lermos um pouco menos a Veja e assistirmos um pouco menos à Globo e acreditarmos que vivemos em um país melhor do que querem estes veículos? Assim como afirmou Baudrillard, o Brasil é ainda um dos países onde há resquícios de esperança para o mundo. Ainda temos sinais de uma cultura mais pura, mais brasileira, menos contaminada por esta civilização moderna e cansada que trouxe à tona seus sintomas de violência neste ato de jovens ingleses esta semana.